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Título: CORAÇÃO VALENTE
Autor: Tula Maria Pauser Gomes
E-mail: hardrockman1980@uol.com.br

Paulinho

Atenção, esta é uma história real, é uma história de pessoas que, mais que olhar para o céu e pedir um milagre, aliás, três milagres, olharam para dentro de seus corações e encontraram forças em Deus e muita ajuda de amigos e familiares e então resolveram lutar pela vida. Leia minha história, alguma coisa vai mudar dentro de você.

Meu nome é Tula Maria Pauser Gomes, mãe do Paulinho, meu esposo chama-se Paulo Sérgio Gomes e temos uma filha mais velha chamada Camila de 12 anos e não tem nenhuma cardiopatia. Sei que como mãe, talvez eu tenha dado mais trabalho que meu filho, mas será que alguém já parou para pensar que "a maior das cirurgias" foi realizado nos corações dos pais e não dos filhos? É, hoje podemos compreender muita coisa...
E em nome dessa vida, que Deus me confiou, eu agradeço por ELE nos ter dado esse filho tão "especial" pois só descobrimos o verdadeiro sentido da vida depois da chegada do Paulinho...

Confesso que neste caminho, Deus nos colocou vários anjos para nos auxiliar, um desses foi a dra. Liliam M. Lopes, ecocardiografista pediátrica (Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo) que acompanhou minha gravidez e me encaminhou ate chegar as mãos do dr. Gláucio Furlanetto, dra. Beatriz Furlanetto, dra. Angela M. B. Soraggi e também a dra. Wylma M. Hossaka que foi a pediatra do Paulinho em tempos de UTI e que ate hoje cuida do Paulinho, também minha ginecologista e obstetra dra. Maria Helena V. Polli que sempre acreditou que o Paulinho iria vencer, mesmo antes dele nascer. Atualmente a cardio-pediatra que acompanha o Paulinho é a dra. Patricia Mª. Pessoa de Mello.

Paulo Henrique Pauser Gomes, é carinhosamente conhecido como Paulinho, no Mês de abril de 2004, completou 3 aninhos de vida, mas pode acreditar, esses 3 aninhos de vida, foram marcados por lutas, mas com Fé em Deus que nunca nos desamparou, também por vitórias.

Eu sou o Paulinho, e queria contar-lhes minha história: Mesmo antes de meu nascimento, (aos 5 meses de gestação) meus pais já sabiam que eu teria uma grave má formação em meu coração e teria que ser submetido a 3 cirurgias para conseguir viver. Minha primeira batalha foi conseguir completar 37 semanas de gestação, minha mãe teve uma gravidez de alto risco, com ameaças de aborto constantes, perda de liquido, descolamento e perda do tampão mucoso, dentre outras complicações, isso sem mencionar vários médicos que orientaram meus pais a abrir mão dessa gravidez, (hipótese jamais levada em consideração por minha família...) mas conseguimos vencer esta parte. Eu tenho uma cardiopatia congênita conhecida como Síndrome do coração Direito Hipoplásico (atresia pulmonar, atesia ânulo valvar tricúspede e ventrículo direito hipoplásico). Nasci no hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo, aos 17 dias do mês de abril de 2001, pesando 3.610kg e medindo 51 cm., fui recebido pela equipe do DR. Gláucio Furlanetto e então com apenas 1 dia de vida, passei pela primeira etapa cirúrgica chamada Blalock Taussing, que me permitiu viver até 6 meses. Com essa idade, então era chegada a hora de realizar a segunda etapa cirúrgica, chamada Glenn Bidirecional, que através de técnicas avançadas e equipe altamente especializada em cardiologia infantil, ligou a veia cava superior na artéria pulmonar, que possibilitou que eu chegasse a idade de 1 ano. Então em junho de 2002 (com 1 ano e 2 meses) realizei a última etapa das cirurgias, chamada Fontan Fenestrado, que liga a veia cava inferior à artéria pulmonar através de um túnel feito dentro do coração. Na primeira cirurgia, fiquei 42 dias hospitalizado, na segunda fiquei 15 dias, mas na terceira, foram quase dois meses de hospital, apresentei derrame pleural de repetição, problemas relacionados a trigliceres. Mas pela graça e poder de DEUS que está acima de todas as coisas, hoje eu estou em casa, estou muito bem, sempre com um sorriso nos lábios, sou uma criança feliz, brinco, corro, ando de motoquinha, levo uma vida normal. É claro que preciso de alguns cuidados a mais e alguns medicamentos mais isso não tira minha vontade de viver!      

O Paulinho vive normalmente, e se confunde com outras crianças da idade, quando vamos a alguma festinha ou parque, ninguém imagina tudo o que ele já viveu, mas quando ele esta sem camisa, alguém vê a marquinha e me pergunta ele mesmo já diz: o tio "Gal" operou meu coração!, Quando vai tomar medicação, ele diz: É pro meu coração, né mãe? Para ele tudo isso é normal, nunca vou esconder o que ele passou, quero que ele saiba que na sua aparência de bebe tão frágil, ele nos ensinou o que é ser forte...

Gostaria muito de encontrar mais crianças, que como meu filho, estão lutando pela vida, gosto de comunicar-me com outros pais e sempre acabo me apaixonando por cada novo "amiguinho do coração" que encontramos pela vida afora.


   
 
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03/10/2006
Revista: Avanços da medicina auxiliam gestação
MALU ECHEVERRIA da Revista da Folha
 
08/11/2005
Sedentarismo e muito computador também causam doença
Da Folha de S.Paulo
 
23/10/2005
Coração do feto deve ser acompanhado
São Paulo, domingo, 23 de outubro de 2005 FOLHA DE S.PAULO cotidiano
 
23/10/2005
Diagnósticos precoces
23 de outubro de 2005 FOLHA DE S.PAULO equilíbrio